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Sustentabilidade

Consumidor consciente: o que você precisa saber para atendê-lo

consumidor consciente

O consumismo é a ideia de que o bem-estar e a felicidade de uma pessoa estão diretamente ligados à quantidade de bens e serviços que ela pode consumir. Sem dúvida, o aumento do poder de compra contribuiu muito para a qualidade de vida da população, mas o consumo desenfreado também provoca mais danos ambientais do que o planeta é capaz de repor.

O consumidor consciente surgiu para mudar essa realidade por meio dos seus hábitos de compra. A seguir, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre esse público e como uma empresa do setor agropecuário pode satisfazê-lo. Continue a leitura e confira nossas dicas!

O que é um consumidor consciente?

O consumidor consciente é aquele que toma as suas decisões de compra com base nos seus princípios éticos. Ele faz parte de um público que gosta de se informar sobre as origens dos produtos que compra e as empresas que os vendem, pois sabe que seus hábitos de consumo causam grandes impactos à sociedade e ao meio ambiente.

Esse tipo de consumidor não olha apenas para o preço ou a aparência do que vai consumir, mas sim para todos os aspectos envolvidos no processo produtivo. Assim, eles avaliam se empresa adota práticas sustentáveis, oferece condições dignas de trabalho, valoriza o bem-estar da comunidade, entre outras questões.

Além disso, o consumidor consciente procura repensar sua frequência de consumo, muitas vezes abrindo mão de aquisições que considera pouco necessárias ou supérfluas. Eles praticam hábitos simples como:

  • pesquisar a reputação das suas empresas favoritas;
  • prezar pela qualidade em vez de quantidade;
  • reduzir sua produção de lixo;
  • optar por embalagens reutilizáveis ou recicláveis;
  • conhecer os ingredientes das fórmulas;
  • priorizar produtos orgânicos;
  • valorizar a produção local e familiar.

Como se deram as mudanças de comportamento do consumidor atual?

As últimas duas décadas foram marcadas por mudanças intensas no mercado global, que podem ser explicadas sob diversas perspectivas. A agropecuária é um dos setores que se destacam nesse cenário, visto que suas atividades interferem em vários aspectos socioambientais, como a criação de seres vivos, a oferta de comida, a geração de empregos no campo etc.

Veja a seguir os principais fatores que influenciaram a mudança de hábito dos consumidores.

Pressões sociais, ambientais e econômicas

Os avanços industriais foram imprescindíveis para a qualidade de vida da população, pois permitiram que mais pessoas tivessem acesso à comida e produtos de qualidade. No entanto, o crescente aumento da produção trouxe novas preocupações aos consumidores, que estão mais cientes dos impactos que seus hábitos de consumo causam na sociedade como um todo.

A degradação ambiental é o principal impacto percebido como consequência do consumismo, mas questões como desigualdade social e instabilidade econômica também estão sendo vistas como complicações desse mesmo problema. Esses temas são debatidos principalmente entre as novas gerações, que tendem a ser as precursoras das mudanças sociais.

E é claro que a produção de comida tem um papel fundamental nesse contexto, uma vez que a agropecuária é classificada como altamente nociva ao meio ambiente. É por isso que o consumidor consciente modifica os seus hábitos alimentares como forma de combater esse entrave, optando por comidas mais saudáveis e comprando de empreendimentos sustentáveis.

Maior disponibilidade de informações

A internet teve uma grande influência na mudança de hábito dos consumidores, pois foi a partir da sua popularização que o público passou a ter mais conhecimento sobre os produtos que consumia. Ela possibilitou que as pessoas tivessem acesso a informações pouco veiculadas nas mídias tradicionais, como a realidade dos abatedouros e os danos decorrentes do excesso de agrotóxicos no cultivo.

O acesso a informações também aumentou o conhecimento geral sobre os efeitos de certas substâncias no organismo. Dessa forma, o consumidor consciente pesquisa sobre a composição dos produtos e os processos envolvidos na sua fabricação, para terem a certeza de que não estão consumindo nada tóxico.

Diversificação da oferta de bens e serviços

O aumento da oferta de bens e serviços contribuiu muito para os hábitos de consumo da atualidade, pois isso deu aos consumidores a liberdade de escolherem o que mais se adequa às suas necessidades. Assim, cabe ao mercado se atualizar para suprir as demandas desse público que está cada vez mais exigente.

O consumidor atual valoriza a sua experiência com a empresa e não se satisfaz apenas com um bom produto. Ele cobra o posicionamento das marcas diante das questões que julga importante e escolhe aquela cujos valores corporativos estejam alinhados aos seus princípios.

Os adeptos do consumo consciente não têm medo de buscar alternativas quando descobrem que o seu produto preferido é nocivo ao meio ambiente ou a sua própria saúde.

Quais são as principais demandas do consumidor consciente?

As demandas do consumidor consciente representam novas oportunidades para o setor agropecuário. A tendência é que cada vez mais pessoas abracem um estilo de vida e consciente e cobrem das empresas essa mesma preocupação. Veja a seguir os nichos que atendem esse público.

Cultivo de alimentos orgânicos

O mercado de orgânicos é um dos nichos mais significativos quando se fala em práticas agroecológicas. Para receber essa definição, o alimento precisa ser cultivado sem a interferência de agrotóxicos ou qualquer outro produto químico. Para isso, são criados ambientes aperfeiçoados que favorecem o crescimento de plantas naturalmente mais saudáveis.

Além disso, o cultivo de orgânicos abrange uma série de outras medidas socioambientais que promovem o uso responsável de recursos naturais e o respeito à integridade de comunidades rurais, conforme especificado na Lei N° 10.831. Algumas práticas estabelecidas pela legislação de orgânicos incluem:

  • a preservação da fertilidade do solo e da biodiversidade dos ecossistemas;
  • a reciclagem de resíduos orgânicos;
  • o incentivo à produção regional;
  • a redução no uso de recursos não-renováveis;
  • a certificação da propriedade por instituições reconhecidas oficialmente.

O consumo de alimentos orgânicos tem se mostrado bastante promissor no Brasil. De acordo com dados do Sebrae de 2017, o mercado de orgânicos cresce cerca de 25% ao ano, sendo que haviam aproximadamente 17 mil propriedades certificadas em todo o território brasileiro.

Alimentos à base de proteína vegetal

A busca por proteínas de origem vegetal é uma tendência mundial que vem ganhando espaço no Brasil, entre públicos que buscam diminuir ou eliminar totalmente o consumo de produtos de origem animal. Os adeptos desse estilo de vida procuram uma alimentação saudável enquanto defendem a preservação ambiental e os direitos dos animais.

As proteínas vegetais que imitam o sabor e a textura da carne são opções requisitadas nesse mercado, pois ajudam a suprir as necessidades diárias de nutrição enquanto ajudam o organismo a se adaptarem à nova dieta. Muitos deles são feitos à base de soja, grão-de-bico, feijão, linhaça e aveia, entre outros legumes e cereais.

Alimentos funcionais

Alimentos funcionais são aqueles que proporcionam benefícios à saúde que vão além dos seus valores nutricionais básicos, pois são compostos por elementos que reduzem os riscos de doenças. Fazem parte dessa definição os alimentos convencionais com alto valor nutritivo, como grãos integrais, e produtos enriquecidos com vitaminas e minerais, como o leite industrializado.

O consumidor consciente busca uma alimentação mais eficiente, tanto pela saúde quanto por preocupações estéticas. As pessoas precisam comer de forma saudável para acompanhar as constantes demandas por produtividade, mas também priorizar alimentos que contribuam para uma boa aparência física.

Produtos veganos e cruelty-free

O veganismo é um estilo de vida que renuncia o consumo de qualquer produto de origem animal, seja do gênero alimentício ou não. Já o termo cruelty-free significa “livre de crueldade animal” e se refere a produtos que não foram testados em animais durante o seu processo de fabricação.

Ambas as tendências abrem um novo mercado para a agricultura, que é um setor crucial para suprir as demandas por produtos de origem vegetal que também sejam menos poluentes. O cultivo de algodão é um exemplo de oportunidade para os produtores rurais, pois existe uma procura do público por tecidos naturais, que oferecem mais conforto e sustentabilidade que as fibras sintéticas.

O que mais interfere nas decisões de compra do consumidor consciente?

O consumidor consciente é movido por seus princípios, mas ele ainda espera receber as mesmas comodidades que o consumidor convencional. Entender suas dificuldades e expectativas é essencial para que as empresas saibam quais soluções serão as mais eficazes para atraí-los.

Certificações socioambientais

As certificações socioambientais são cada vez mais importantes para o agronegócio, pois elas comprovam que o um produto seguiu as práticas exigidas pelo seu público-alvo. Isso não apenas atrai o consumidor como também facilita sua decisão de compra, já que o selo na embalagem fornece a informação desejada de maneira simples e objetiva.

As certificações implicam em custos adicionais para os negócios, que precisam passar por avaliações que atestem a credibilidade dos seus processos produtivos. No entanto, isso pode ser compensado no momento das vendas, com algumas técnicas que ajudam a repassar o aumento de preço para o consumidor.

Outros aspectos positivos das certificações é que elas aumentam o acesso a auxílios financeiros e estimulam a otimização da logística no agronegócio. Ou seja, elas também contribuem para a lucratividade das propriedades rurais de forma indireta.

Facilidade de acesso

Ainda que o desejo de aderir ao consumo consciente seja grande, as pessoas encontram um grande obstáculo que é a dificuldade de acesso aos produtos que desejam. Elas até podem se deslocar um pouco mais para compras não imediatas, mas produtos que precisam ser repostos rapidamente devem ter seu alcance facilitado, como é o caso dos alimentos.

Ao conhecer o perfil do consumidor consciente, as empresas conseguem identificar os pontos de venda que são mais próximos dos seus clientes. Essa estratégia é ainda mais necessária nos centros urbanos, onde existe alta competitividades e a rotina de todos é muito corrida.

Informações sobre a empresa e o produto

Já falamos sobre o quanto o consumidor consciente é bem-informado e precisa conhecer os produtos antes de comprá-los. Seu empreendimento pode até seguir as boas práticas de produção sustentável, mas isso não é eficaz para atrair um público que não tem acesso a essa informação.

As pessoas podem coletar esses dados de diversas fontes, como experiência de amigos, casos de sucesso, anúncios publicitários e até mesmo das embalagens. Providenciar informações de fácil alcance é imprescindível para chamar a atenção daqueles consumidores que estão sempre com pressa.

Condutas éticas

O consumidor consciente valoriza empreendimentos que não colocam seus lucros acima do meio ambiente e do bem-estar social. As pessoas estão sentindo na pele os efeitos do consumismo global, como climas extremos, poluição atmosférica e instabilidade econômica, e precisam de marcas que mostrem empatia pelas dificuldades que enfrentam.

Ao mesmo tempo, os consumidores ficam felizes em saber que pequenas atitudes suas ajudam a solucionar algum problema. Por isso, se puderem escolher entre dois produtos com o mesmo custo-benefício, eles darão preferência para aquele que trará algum benefício para a sociedade.

Quais são as maiores preocupações do consumidor consciente?

A sustentabilidade é um dos principais pontos discutidos quando o assunto é consumo consciente. No entanto, existem outras motivações que podem levar um consumidor a comprar ou não de uma empresa. Confira a seguir quais são elas.

Bem-estar animal

A criação de animais para consumo esbarra em uma série de questionamentos quanto à ética desse tipo de produção. Mesmo quem não abre mão dos produtos de origem animal quer, ao menos, ter a certeza de que os seus bens não foram originados do sofrimento de outros seres vivos.

Assim, investir no bem-estar animal é um dos caminhos para se alcançar o consumidor consciente. Além das oportunidades de mercado, esse investimento traz muitos outros benefícios para a produtividade da pecuária, que tem a oportunidade de fornecer alimentos de melhor qualidade aos seus consumidores.

Conceber ambientes que respeitem a natureza dos animais garante a sua longevidade e o seu crescimento saudável, o que resulta em alimentos mais saborosos, com melhores texturas e de maior valor agregado. Animais criados com menos estresse também contraem menos doenças, uma vez que o bem-estar contribui para o fortalecimento do seu sistema imunológico.

Alimentação saudável

A modernidade provocou sérios efeitos à saúde da população, com seus estímulos ao estilo de vida sedentário e aos alimentos processados e hipercalóricos. Em contrapartida, o aumento de doenças relacionadas ao sedentarismo tem levantado debates sobre a necessidade de repensarmos nossos hábitos alimentares.

Mais do que se alimentar corretamente, o consumidor consciente busca melhorar sua qualidade de vida por meio de uma nutrição balanceada. Por isso, ele prioriza alimentos que aumentem sua energia diária, previnam doenças, ajudem na perda de peso, contribuam para a melhora do sono etc.

Mesmo quando a intenção é sair da rotina, o consumidor consciente prefere aquelas “besteiras” que ainda ofereçam um certo valor nutricional e, preferencialmente, que sejam pobre em calorias e gorduras.

Composição dos produtos

Uma parte fundamental dos hábitos de vida saudáveis é saber a composição dos alimentos industrializados. Por isso, o consumidor consciente faz questão de ler os rótulos nas embalagens e não se contenta em apenas observar o preço na etiqueta. Não que preço não seja importante, mas esse público prefere pesquisar alternativas a comprar algo prejudicial à saúde.

Com a quantidade de informações disponíveis hoje, não é difícil descobrir a utilidade de cada ingrediente e os efeitos que tem no organismo. Além disso, o consumidor consciente é proativo e gosta de compartilhar seus achados com pessoas que compartilham do mesmo interesse.

Práticas sustentáveis

Muito se fala sobre a sustentabilidade e a sua relação com o consumismo, mas sua abrangência vai um pouco além do que se pensa. Além das questões de preservação ambiental, ela também engloba princípios de desenvolvimento econômico e social, como a qualidade de vida da população em geral.

Assim, empreendimentos comprometidos com o desenvolvimento sustentável devem adotar práticas ecologicamente viáveis na sua rotina de produção e demonstrar um interesse genuíno em beneficiar a sociedade com suas ações.

A gestão de resíduos na agropecuária é um exemplo do que as propriedades rurais podem fazer para reduzir seus impactos no meio ambiente. Em resumo, isso significa elaborar diretrizes que garantam o reaproveitamento ou o descarte apropriado de todo o lixo que for produzido.

Os resíduos reaproveitáveis podem ser convertidos em biogás e biofertilizantes por meio dos biodigestores rurais, que são equipamentos fechados nos quais ocorre a decomposição de matérias orgânicas, resultando em gás e um líquido rico em nutrientes.

Como as empresas podem atender as demandas do consumidor consciente?

Agora que você já sabe tudo sobre o consumidor consciente, vamos falar sobre como as empresas podem se adequar às exigências desse público. Veja a seguir algumas orientações para começar nessa jornada.

Boas práticas agropecuárias (BPAs)

Hoje existe uma gama de práticas agropecuárias pensadas na melhoria do setor, garantindo mais economia e lucro para as propriedades e reduzindo os imprevistos que prejudicam o seu desenvolvimento, como instabilidades climáticas, pragas na lavoura e surtos de doenças nos animais.

As boas práticas agropecuárias contribuem para a preservação ambiental ao reduzirem o desperdício de recursos naturais, além de ajudarem na produção de alimentos de maior qualidade que atendam às exigências do consumidor consciente. Elas também são importantes para promover a segurança dos colaboradores durante o trabalho no campo.

Treinamento de colaboradores

Os treinamentos são fundamentais para o bom funcionamento de uma propriedade, mas são ainda mais necessários quando uma mudança for implementada. Isso porque não adianta implementar a melhor das estratégias se os colaboradores não souberem extrair delas os seus potenciais.

É preciso educá-los sobre o comportamento do consumidor consciente para que saibam a melhor forma de atender suas necessidades, pois as estratégias de vendas mais bem-sucedidas são justamente aquelas que consideram o perfil do seu público-alvo.

Além disso, os próprios colaboradores devem estar conscientes da importância das práticas sustentáveis no dia a dia de trabalho, para que suas ações estejam alinhadas com as expectativas dos seus clientes.

Investimento em tecnologias

As tecnologias são indispensáveis para o progresso de qualquer setor, uma vez que abrem portas para um mundo de oportunidades. Hoje existem uma série de inovações pensadas nas necessidades características dos negócios agropecuários, que vão desde softwares de gerenciamento até equipamentos que otimizam o trabalho no campo.

O consumidor consciente é aberto a essas novidades, pois sabe que é impossível alcançar as mudanças que tanto almeja sem abrir mão de práticas ultrapassadas. Da mesma forma, as tecnologias são garantia de mais lucratividade para o agronegócio, que se torna mais eficiente com a modernização das fazendas.

Networking

Networking se refere à rede de contatos que as empresas estabelecem entre si para estreitar seus laços comerciais. Isso é importante porque ajuda os negócios rurais a formarem parcerias com fornecedores e clientes que apoiam as mesmas causas e, consequentemente, a consolidarem seu espaço no mercado.

Uma boa rede de contatos também auxilia os empreendimentos a construírem a imagem de empresa consciente que desejam transmitir ao consumidor, que tende a confiar mais em marcas com boas referências no seu nicho de atuação.

Transparência com o público

Produzir de forma consciente exige adaptações em toda a cadeia de suprimentos, e mostrar isso ao consumidor é uma forma de mostrar o seu comprometimento e encorajar o público a comprar da sua marca. Por isso, vale a pena reunir os resultados desse esforço e publicá-los onde as pessoas terão acesso a ele.

Aproveite a oportunidade para mostrar às pessoas como a sua empresa ajuda a resolver os problemas da agroindústria, destacando os diferenciais dos seus produtos nesse sentido. Essa também é uma forma de educar o seu público-alvo, para que ele saiba como melhorar suas decisões de compra.

Datas comemorativas como o Dia do Cliente são uma outra maneira de se apresentar aos clientes, expondo o porquê de apoiar o desenvolvimento sustentável e os benefícios que eles terão ao comprarem da sua empresa.

O consumidor consciente já começou a ditar as regras do mercado, e as empresas que se posicionarem desde já a favor dos seus ideais terão mais vantagens na competitividade. Por isso, estude bem o seu público-alvo, invista em estratégias certeiras e entregue exatamente o que seus clientes esperam.

Apenas uma equipe em sintonia é capaz de conquistar um público consciente. Por isso, compartilhe este artigo em suas redes sociais e leve esse conhecimento aos seus colaboradores!