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Transição agroecológica: veja aqui!

Modificado em: outubro 5, 2023

Introdução

A agroecologia é um modelo agrícola que busca a integração sustentável de atividades agrícolas com o meio ambiente e a sociedade. Ela busca uma construção de sistemas alimentares mais sustentáveis e saudáveis, tanto para os agricultores, quanto para o consumidores.

Infelizmente, as plantações brasileiras receberam mais de 60 mil toneladas de agrotóxicos no último ano, substâncias que estão associadas a diversos problemas de saúde, incluindo câncer, danos genéticos etc.

Essas substâncias estão presentes em alimentos comuns do dia a dia dos brasileiros, como café, arroz, feijão, batata, maçã, banana, entre outros. Como resultado, cada cidadão brasileiro consome, em média, cinco litros de agrotóxicos por ano.

Diante dessa realidade, a agroecologia surge como uma alternativa à cultura do uso de agrotóxicos, tornando-se uma ferramenta essencial para o desenvolvimento sustentável.

Confira, a seguir, como ela funciona e como a transição agroecológica pode ajudar.

Quais são as práticas da agroecologia?

A agroecologia prioriza o uso consciente dos recursos naturais em todo o processo produtivo, desde o cultivo até a distribuição dos produtos finais.

Ela se apresenta como uma opção para reduzir os problemas gerados pelo modelo corriqueiro de agricultura, que pode causar a perda da biodiversidade e degradar o solo.

Na agroecologia, compreende-se que todas as formas de vida presentes em um ciclo da agricultura estão interconectadas e devem ser tratadas de maneira indispensável para a manutenção do equilíbrio ambiental.

As práticas da agroecologia incluem o uso de métodos e técnicas que promovem a sustentabilidade ecológica, social e econômica na produção de alimentos. 

Veja, a seguir, as principais práticas.

Adubação orgânica

Para garantir a longevidade da produção e da terra, manter ou aumentar a fertilidade do solo é uma prática fundamental.

Os adubos químicos podem desequilibrar as plantas e matar microrganismos no solo, tornando-as mais suscetíveis a pragas e doenças, apesar de seu crescimento rápido.

Por isso, a adubação orgânica é uma alternativa simples e econômica para as práticas agroecológicas. 

Adubação verde

A adubação verde é uma prática agroecológica que consiste no plantio de espécies vegetais para enriquecer o solo com nutrientes e melhorar sua qualidade. Nessa prática, as plantas são deixadas na terra para serem cortadas e incorporadas ao solo, em vez de serem colhidas para consumo.

Essas plantas possuem a capacidade de fixar nitrogênio do ar e, ao serem incorporadas no solo, liberam nutrientes para as plantas cultivadas.

Além disso, as raízes das plantas ajudam a melhorar a estrutura do solo, aumentando sua capacidade de retenção de água e reduzindo a erosão.

Algumas espécies comuns utilizadas na adubação verde são leguminosas, como feijão-de-porco, mucuna-preta e crotalária.

A adubação verde é uma prática sustentável, pois reduz a dependência de adubos químicos e ajuda a manter a saúde do solo, resultando em cultivos mais saudáveis e produtivos.

Estercos

O uso de estercos na agricultura é uma prática antiga e tradicional, mas que continua sendo muito importante na agroecologia. Os estercos são compostos por resíduos animais, como fezes e urina, aplicados no solo para melhorar suas propriedades físicas, químicas e biológicas.

Eles fornecem nutrientes essenciais para as plantas, como nitrogênio, fósforo e potássio, além de melhorar a estrutura do solo e estimular a atividade dos microorganismos benéficos.

Eles podem ser de diversas origens, como bovino, suíno, ovino, caprino, aves, entre outros.

Os estercos podem ser aplicados no solo de diversas formas, como na forma fresca, na forma de composto orgânico ou na forma líquida, conhecida como biofertilizante.

Além disso, o uso de estercos contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa, pois evita o acúmulo de resíduos orgânicos em aterros sanitários e o uso excessivo de fertilizantes químicos, produzidos a partir de combustíveis fósseis.

Controle biológico de pragas

O controle biológico de pragas é uma alternativa ao uso de agrotóxicos, que busca utilizar os próprios inimigos naturais das pragas para controlá-las. 

Essa técnica consiste em introduzir no ambiente determinados organismos que se alimentam ou parasitam a praga, equilibrando o ecossistema e controlando as infestações.

Entre os exemplos de controle biológico de pragas, podemos citar:

  • introdução de predadores naturais, como insetos ou pássaros, para controlar as pragas;
  • utilização de armadilhas para capturar a praga ou seu parasita natural;
  • uso de feromônios para atrair os inimigos naturais das pragas;
  • rotação de culturas, para interromper o ciclo de vida da praga e evitar a infestação contínua.

Qual é a proposta da agroecologia?

A proposta da agroecologia é construir sistemas alimentares mais justos e sustentáveis, que garantam a segurança alimentar e nutricional das populações, além de promover a equidade de gênero, raça e classe social. 

A agroecologia também visa a fortalecer as comunidades rurais e valorizar os conhecimentos tradicionais e as práticas culturais relacionadas à produção de alimentos.

Princípios básicos da agroecologia

Confira, agora, os princípios básicos da agroecologia.

  • Diversidade: a agroecologia valoriza a diversidade de culturas e espécies, promovendo sistemas agroflorestais e consorciação de culturas para melhorar a saúde do solo e reduzir a necessidade de pesticidas e fertilizantes sintéticos.
  • Interação ecológica: a agroecologia se baseia em entender e utilizar as interações ecológicas entre plantas, animais, solo, água e clima, para melhorar a produtividade e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.
  • Ciclagem de nutrientes: a agroecologia enfatiza a importância de ciclar nutrientes para manter a fertilidade do solo, reduzindo a necessidade de insumos externos e evitando a poluição do meio ambiente.
  • Uso de tecnologias apropriadas: a agroecologia promove o uso de tecnologias apropriadas às condições locais, como o uso de biofertilizantes e biopesticidas, a agricultura de conservação e o manejo integrado de pragas.
  • Participação e cooperação: a agroecologia envolve a participação ativa das comunidades locais na gestão dos sistemas agrícolas e a promoção da cooperação e da solidariedade entre agricultores.
  • Respeito à cultura e conhecimentos locais: a agroecologia valoriza e respeita os conhecimentos e as práticas tradicionais de agricultores e povos indígenas, incorporando esses saberes na concepção e gestão dos sistemas agroecológicos.
  • Justiça social e ambiental: a agroecologia busca promover a justiça social e ambiental, garantindo o acesso equitativo a recursos e oportunidades para os agricultores e comunidades rurais e reduzindo a desigualdade e a exclusão social.

O que é e como funciona a transição agroecológica?

A transição agroecológica é um processo gradual, orientado e acompanhado, de transformação das bases produtivas e sociais, visando a recuperar a fertilidade e o equilíbrio ecológico do agroecossistema, em acordo com os princípios da agroecologia. 

Ela envolve a adoção de técnicas que visam à melhoria da qualidade do solo, ao uso eficiente da água, ao controle biológico de pragas, à diversificação das culturas, à produção e utilização de adubos orgânicos, entre outras práticas que considerem a preservação ambiental, a saúde humana e a justiça social.

Por isso, a transição agroecológica busca otimizar o uso dos recursos naturais e socioeconômicos, valorizar as tradições culturais, dar transparência em todos os estágios da produção e promover interações ecológicas e sinergismos entre os componentes biológicos presentes no ambiente, aumentando a fertilidade do solo, a produtividade e a proteção das culturas.

Para agricultoras e agricultores, iniciar a transição agroecológica demonstra a preocupação com a própria saúde, a do meio ambiente e de quem consome seus produtos, além de contribuir para uma agricultura mais sustentável e benéfica para todos.

Já para consumidores e consumidoras, aumenta o acesso a alimentos mais saudáveis, produzidos com tecnologias que buscam otimizar o uso dos recursos naturais e socioeconômicos e valorizar as tradições culturais.

Conclusão

A agroecologia é importante para a produção de alimentos saudáveis e sustentáveis, promovendo a diversidade biológica e cultural, contribuindo para a segurança alimentar, a conservação ambiental, o fortalecimento da agricultura familiar, a melhoria da saúde e a preservação de conhecimentos tradicionais.

Embora as técnicas de monocultura sejam amplamente difundidas, é necessário iniciar a transição agroecológica em solos degradados pela agricultura convencional.

No entanto, para que a agroecologia se torne uma prática convencional de manejo do solo, é essencial promover conscientização pública, organização, desenvolvimento de mercados e infraestrutura, reformulação do ensino, pesquisa e extensão rural, além da distribuição de recursos e do incentivo político.

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