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Piscicultura

Guia completo: como criar peixes no sistema de bioflocos

sistema de bioflocos
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A atividade de criação de peixes requer dedicação quanto ao manejo e também implica em investimentos para manter o trabalho em pleno funcionamento. Para reduzir custos e ter uma atuação que gere melhor a exploração de recursos naturais, o sistema de bioflocos é altamente recomendado e já é bastante usado por muitos criadores.

O grande diferencial dessa prática é a sua capacidade de permitir maior renovação da água, que gera otimização do manejo. Cuidar da qualidade da criação dos peixes passa diretamente pelo nível de conservação de água, o que é o foco dos bioflocos.

Essa técnica traz uma série de vantagens pontuais, mas requer conhecimento sobre as espécies que podem recebê-la, além de especificações de manutenção. Neste post, falaremos tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Confira!

O que é o sistema de bioflocos?

O sistema de bioflocos é uma técnica desenvolvida com a proposta de permitir a renovação da água usada nas atividades de aquicultura.

Desenvolver organismos aquáticos, como peixes e camarões, é um trabalho que demanda constante monitoramento e intervenções na troca da água, fornecimento de ração, oxigenação dos taques e uma série de outras necessidades. Basicamente, tudo isso entra como necessidades básicas de manejo.

O bioflocos nada mais é do que um recurso voltado para permitir que a água utilizada na piscicultura dure muito mais tempo do que o normal. Em criações tradicionais, a troca precisa ser feita diariamente, uma vez que essa água passa a ter resíduos consequentes das atividades das espécies.

Fezes, restos de comida e, até mesmo, partículas trazidas pelo vento são elementos que, se não removidos, tendem a rapidamente gerar degradação do nível da água.

Desse modo, a troca do volume de água dos tanques é um trabalho constante e que precisa estar na rotina diária do manejo de criações de piscicultura. Do contrário, o crescimento dos peixes e outras vidas marinhas, como os camarões, fica em risco, já que eles não podem conviver em um ambiente com baixa salubridade.

Como funciona o sistema de bioflocos?

O nome bioflocos é originado do fato de esse sistema ser aplicado por meio de partículas que ficam na água. Elas fazem o papel de captar as impurezas da água para convertê-las em nutrientes básicos para o consumo dos peixes e dos camarões que são criados no tanque em questão.

Um detalhe importante sobre os bioflocos é o fato de eles se manterem suspensos, ou seja, boiando na água. Esse é o diferencial que permite que eles façam essa absorção e a distribuição de um ponto estratégico, o que realente garante que a água se mantenha nas melhores condições possíveis.

As partículas de bioflocos, atualmente, são fabricadas em uma escala comercial bem mais ampla. Hoje, um piscicultor que deseja fazer a transição para esse modelo não encontra dificuldades em adquirir os bioflocos para mudar a sua forma de manejo da criação.

Composição das partículas

Uma das curiosidades da criação em sistemas de bioflocos está relacionada à composição das partículas que ficam suspensas na água. Esse é o segredo para a absorção de todos os resíduos que podem interferir na qualidade do ambiente de criação das espécies.

Essas partículas são um composto de microalgas e bactérias que durante o tempo em que estiverem na água vão se alimentar dos restos de ração, das fezes e dos micro-organismos presentes no local. Mais do que simplesmente remover essas impurezas, as bactérias as convertem em substâncias que podem ser consumidas pelos próprios peixes e camarões.

As bactérias utilizadas nesses compostos são de duas espécies: heterotróficas e nitrificantes. A primeira espécie é capaz de captar toda matéria orgânica, ou seja, restos de alimentos, fezes, micro-organismos e processar esse conteúdo.

Já as bactérias nitrificantes têm o papel de absorver a amônia liberada na decomposição de elementos presentes na água e convertê-la em nitrito e nitrato. Na prática, a amônia (que é tóxica às espécies e ajuda a degradar rapidamente a água) é transformada em formas de nitrogênio que são captadas pelos peixes e camarões para o seu desenvolvimento natural.

As bactérias também captam nutrientes a partir dos resíduos alimentares presentes no local de criação. Esses elementos são processados e, depois disso, os nutrientes são desenvolvidos na água, sendo absorvidos pelas espécies junto à renovação de rações e compostos alimentares fornecidos diariamente.

Qualidade da água

A proposta do sistema de bioflocos é justamente ter uma melhor gestão de recursos. A água é vista dentro de uma ideia de renovação mínima, sendo a base dessa atividade, ou seja, o foco principal desse modelo de atividade é reduzir, ao máximo, a necessidade de trocar o volume.

Em uma época em que a sustentabilidade é amplamente debatida no mundo, o sistema de bioflocos vai de encontro a essa ideia. A proposta é fazer o mínimo de renovação do volume utilizado na criação — o que, na maioria das vezes, nem mesmo é necessário.

No entanto, essa troca depende também dos cuidados com a qualidade da água. O manejo é parte fundamental e que deve contemplar medições para entender o nível de bactérias, o pH da água, o nível de oxigênio dissolvido e a quantidade de amônia dissipada.

Esse controle é o que vai ajudar a entender de que maneira o sistema de bioflocos tem contribuído para manter a qualidade da água. Pode ser necessário, em algum momento (ainda que em um intervalo de tempo bem longo) realizar a troca total ou parcial daquela água utilizada.

Quais espécies podem ser criadas no sistema de bioflocos?

O sistema de bioflocos, apesar de todas as suas vantagens, gera sempre questionamento sobre quais espécies são as mais adequadas para essa prática. A criação de peixes precisa sempre considerar as características dos animais para garantir que eles se desenvolvem bem no sistema que é proposto na atividade.

O senso comum aponta sempre para duas espécies de peixes para piscicultura: as tilápias, peixe altamente consumido no Brasil e de grande apreço no mercado, e o camarão, outra espécie que tem muita visibilidade, especialmente em negócios de culinária. No entanto, é importante a busca do entendimento de como aplicar essa criação.

A adaptação fácil, o estilo rústico e a resistência ao manejo fazem com que essas espécies tenham poucas restrições e, consequentemente, um ambiente tranquilo para desenvolvimento em qualquer sistema. No entanto, para piscicultores que têm conhecimento avançado sobre espécies, é possível ter uma análise mais aprofundada sobre a adequação a bioflocos.

A melhor maneira de avaliar isso é entender as principais características que os peixes precisam ter para lidar bem com o ambiente. Isso permite ir além da tilápia e do camarão, ampliando a produção e as possibilidades de renda. Veja, a seguir, quais são essas características principais!

Hábito alimentar

É importante que as espécies pensadas para uma criação em bioflocos tenham um hábito alimentar de origem filtratória ou detrívora. Isso é importante para que os peixes consigam consumidor os agregados que as bactérias oferecem processadas por meio dos bioflocos. Tal fator é o que vai gerar bom desenvolvimento e, ainda, a economia com ração.

Aparato morfológico

As espécies também precisam ter uma construção biológica que se adapte bem ao sistema de bioflocos e o ambiente que ele gera. Algumas das características indispensáveis são:

  • rastros branquiais com bom desenvolvimento (peixes);
  • maxilípedes diferenciados (camarões).

Tolerância ao nitrogênio

Os compostos nitrogenados serão uma realidade nesse sistema de bioflocos. Sendo assim, é importante que as espécies tenham certa tolerância aos níveis em questão. Isso garante que elas lidem bem com a amônia até que ela seja processada, além do nitrito que será gerado.

Tolerância a sólidos suspensos

Os sólidos suspensos se tratam mesmo dos próprios bioflocos, que precisam também ser monitorados para não atrapalhar os peixes. No entanto, é importante que essas espécies lidem bem com a presença desses compostos na água.

Ciclo de produção

O ciclo de produção curto é fundamental para a espécie que for criada no sistema de bioflocos. Como ele é considerado intensivo, peixes que precisam de mais tempo para se desenvolver não conseguiriam ter as condições adequadas.

Valor de mercado

Aplicar bioflocos e cuidar do manejo nesse cenário é algo que requer investimentos, ou seja, precisa de retornos compatíveis. Por isso, não vale a pena criar espécies com valor de mercado baixo, que proporcionem um retorno pequeno.

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Como criar peixes no sistema de bioflocos?

A criação de peixes no sistema de bioflocos precisa ser analisada em todos os seus detalhes. Por ser uma prática intensiva, ela requer cuidados mais específicos — o que representa um manejo realizado em níveis mais dinâmicos. Isso, naturalmente, gera impactos operacionais e também mais custos.

O investimento é outro ponto importante e que precisa ser considerado. Pelo custo maior, os bioflocos nem sempre são possíveis ao piscicultor. No entanto, de modo geral, o mais importante é ter um projeto de criação sólido, identificando as espécies mais adequadas e pensando em como elas poderão ser comercializadas no mercado.

A seguir, entenda de forma ampla, do planejamento à operação, como é feita a criação de peixes no sistema de bioflocos e entenda os esforços necessários nesse modelo.

Legislação

O trabalho começa na legalização da atividade de criação de peixes. Hoje, há a legislação de aquicultura, o que dá suporte ao produtor e também fiscaliza e regula o seu trabalho. Mas antes de iniciar a atividade, é fundamental que esse criador se atente a todas as suas obrigações e exigências — essas feitas por órgãos como o Ibama, a Anvisa, o RIISPOA e o DISPOA.

A lei que regulamenta a atividade é a nº 1283/50, que dispõe todas as informações necessárias para o produtor iniciar as suas atividades. Entre as exigências estabelecidas por esses termos, vale a pena destacar pontos como:

  • adequação ao tipo de aquicultura específico;
  • adequação ao controle do Ibama;
  • certificações relacionadas à aquicultura.

O processo de preparo e adequação de infraestrutura, obtenção de autorizações e de certificados de produtor representam uma etapa importante antes do início das atividades. Por conta disso, o produtor deve buscar o máximo de informações e conseguir todos os documentos antes de começar o seu planejamento e investimento em infraestrutura.

Projeção de criação

É necessário também projetar como será a criação pelo sistema de bioflocos. Essa abordagem tem suas vantagens, o que gera, por exemplo, um desenvolvimento muito maior de peixes em relação ao volume. Isso representa um faturamento grande, mas também exige um trabalho redobrado. Isso vai tomar tempo do produtor e, muitas vezes, exigirá até a contratação de funcionários.

Esse planejamento passa também pela decisão de qual espécie será criada, considerando questões como o tempo de seu ciclo e se ela pode receber outras em companhia. Esses detalhes também impactam a questão da venda da produção, outro ponto fundamental. É importante estruturar o repasse aos compradores, levando em conta o volume da produção e o tempo necessário.

O projeto deve também abranger a infraestrutura necessária para comportar o volume que é pretendido. Mais do que o local de desenvolvimento dos peixes, a logística de distribuição é um outro ponto importante. Como dito, o sistema de bioflocos tem o foco em criações intensivas, o que aumenta a necessidade de deslocamentos — muitos deles, com um volume alto de produção.

Investimento

A única questão que pode pesar em relação ao sistema de bioflocos são os investimentos necessários para realizar a produção nesse modelo. Há necessidade de investimentos maiores, tanto no material que fará o trabalho das bactérias, quanto na infraestrutura composta por equipamentos de diferentes tipos. As exigências de manejo são específicas e refletem nos valores.

Em um primeiro momento, há a compra de aeradores, geradores, tubulação, bombas, decantadores e caixas de remoção de material orgânico. Esses custos são o início da montagem de um sistema de aquicultura sólido e que poderá receber a prática de bioflocos da melhor maneira. Muitos desses equipamentos são decorrentes da necessidade de oxigenar e tratar a água constantemente.

Por mais que o impacto inicial seja maior em relação às finanças, não há muito mais no que se investir além desse material e dos tanques que receberão as espécies. Os custos de manutenção não são muito mais extensos do que as criações normais, além de haver a compensação por conta do aumento do nível da produção que os bioflocos proporcionam.

Estrutura de criação

Um dos pontos mais interessantes está relacionado à estrutura em que a produção irá se desenvolver. Os melhores tanques, ao contrário do que muitos pensam, não são, necessariamente, grandes e de proporções que exijam um espaço considerável. É possível ter criações em pequenas estruturas circulares, uma vez que, ainda assim, é praticável um volume de criação considerável.

Quem deseja ter uma produção de larga escala pode apostar nesse modelo tranquilamente, porém, com a consciência de que isso vai gerar mais custos e um manejo maior. Nesses casos, tanques de grande porte podem ser adquiridos para ter uma área mais ampla. Além deles, também é possível usar viveiros naturais escavados, porém, com revestimento de mantas impermeáveis. Isso permite ter um maior controle da qualidade da água utilizada.

A estrutura não é um detalhe que deve gerar preocupação para produtores que desejam fazer a transição ou, até mesmo, iniciar as atividades com bioflocos. O mesmo tanque ou viveiro utilizado pode continuar sendo o local de criação, porém, com um volume de produção potencializado.

Manejo

O sucesso de uma criação de aquicultura gira em torno de um manejo eficaz e que cumpra os requisitos mínimos de manutenção das condições de criação. O cuidado precisa ser redobrado no modelo de bioflocos, já que a água tem condições específicas de qualidade. O que faz a troca ser reduzida é a presença das bactérias que ajudam a purificar, mas isso também gera controle.

As medições dos níveis de qualidade da água precisam ser feitos diariamente, mais de uma vez. Esse indicador vai mostrar se o tratamento feito é realmente qualificado e gera nutrientes para o desenvolvimento dos peixes. A oxigenação, feita com os aeradores, também precisa ser ininterrupta, ou seja, o monitoramento constante é o que garante o cumprimento desse fator.

De uma ótica geral, o manejo, apesar de ser o fator crucial de desenvolvimento da produção, não é complicado de ser feito no sistema de bioflocos.

Quais são as vantagens do sistema de bioflocos?

O sistema de bioflocos tem se tornado uma escolha cada vez mais recorrente, e não é à toa. Investir nesse modelo possibilita que produtores colham benefícios amplos, desde a questão financeira relacionada aos custos até o faturamento que eles conseguem.

Mais do que simplesmente ser uma oportunidade de ganhar mais, os bioflocos também potencializam criações que não teriam sucesso em determinadas áreas. O modelo também torna a aquicultura mais acessível, uma vez que as infraestruturas de criação não precisam ser tão grandes.

A seguir, veja porque o sistema de bioflocos é tão interessante e conheça as principais vantagens que ele tem apresentado desde que se popularizou.

Maior produção

O principal benefício é ter uma produção potencializada. Na prática, é possível fazer mais com menos. Os alevinos são mais bem aproveitados, uma vez que as bactérias dos bioflocos conseguem converter mais substâncias e resíduos em alimentos. Isso também gera um desenvolvimento mais potente dos peixes, que encontram na água uma quantidade maior de nutrientes importantes.

Em números, o crescimento é impressionante: 30 vezes mais nos sistemas de bioflocos do que na produção normal, segundo o estudo de viabilidade técnica da Emater-DF. Isso representa a possibilidade de produção de até 30 kg/m³. Essa informação está ligada à maior proliferação de espécies em crescimento e também ao peso que elas alcançam pela alimentação potencializada.

Menos custos

A economia de custos é um fator de destaque e que torna a criação nesses moldes mais acessíveis a qualquer produtor. Tudo começa pela água, que tem uma necessidade de renovação muito maior. Essa troca gera custos de diversos tipos, inclusive, com produtos químicos utilizados para equilibrar a qualidade. Além disso, a alimentação também é consideravelmente reduzida.

O consumo de ração diminui bastante em decorrência da transformação dos resíduos em nutrientes para os peixes. Dessa forma, eles sentem menos necessidade de se alimentarem por meio das rações que são comumente oferecidas durante o manejo. No geral, o investimento para começar a atividade gira em torno dos R$ 10 mil, enquanto um ciclo custa R$ 4.500.

Adaptação a regiões com baixo acesso à água

Produtores que estão localizados em regiões semiáridas, que sofrem com a escassez de água, não precisam se preocupar. A piscicultura pode ser uma atividade acessível também a eles quando aplicada com o sistema de bioflocos — e a razão é justamente o pouco uso de água. Há um descarte mínimo e o aproveitamento é contínuo, o que não torna o recurso um impeditivo.

Há também outras regiões não litorâneas que têm baixo acesso à água, em que, geralmente, nunca se considera a piscicultura como uma atividade viável. Nesses casos, os bioflocos também ajudam a democratizar a possibilidade de investir na produção de peixes. A troca da água é realmente muito baixa, graças ao manejo de controle de qualidade e à ação das bactérias de bioflocos.

Sistema sustentável

A sustentabilidade é uma pauta importante também quando se fala de atividades comerciais, em que há a exploração de recursos naturais, como a água. Com bioflocos, esse nível é reduzido drasticamente, uma vez que é necessário apenas repor volumes baixos, quase irrisórios, decorrentes de evaporação, na maioria dos casos.

O tratamento da água permite que ela seja constantemente reutilizada, desde que passe pelo processo constante de controle de índices. No mais, o restante do trabalho de decomposição de resíduos é feio naturalmente pelos bioflocos. Em produções comuns, a troca total de água é diária, enquanto que, com os bioflocos, o volume utilizado pode ser reutilizado por até três anos.

Baixo custo, acessibilidade, democratização do modelo de negócio e sustentabilidade. O sistema de bioflocos é uma descoberta que não é recente, mas que, cada vez mais, se populariza por quem deseja ter sua própria produção. Com um investimento inicial, é possível trazer o objetivo do próprio negócio à realidade

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2 comentários
  1. Avatar
    Claudinei Moretti

    Boa noite eu estou começando uma criação de peixes no sistema bioflocos e eu gostei muito destas informações e gostaria de saber mais se possível obrigado

    1. Avatar
      sa

      Oi Claudinei,

      Que bacana que está iniciando nessa área, desejamos boa sorte! Continue acompanhando nosso blog e receba diversas notícias, abçs!

      Att,
      Sansuy

Comentários estão encerrados.