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Matrinxã: como criar esse peixe de água doce?

Modificado em: abril 18, 2024

O matrinxã é um peixe bastante conhecido na pesca esportiva devido à voracidade que apresenta para capturar suas presas, o que o faz merecedor do nome pelo qual é popularmente conhecido: Saltador de Prata. Além disso, a carne desse peixe é muito apreciada, principalmente na região Norte do Brasil, e utilizada em diversos pratos culinários nas comunidades indígenas e ribeirinhas.

Com um corpo alongado e prateado, uma cabeça e boca grandes, o peixe se destaca por ter uma faixa preta na lateral do corpo e uma mancha preta na base da cauda. O matrinxã pode atingir até 1 metro de comprimento.

Neste artigo você conhecerá melhor a espécie matrinxã, suas principais características e aprenderá como criá-la adequadamente em cativeiro. Confira as nossas dicas e descubra como garantir a produção com segurança e efetividade.

O que é o peixe matrinxã?

O matrinxã é um tipo de peixe de água doce da fauna amazônica cuja procura para criação em cativeiro tem crescido consideravelmente nos últimos anos.

Segundo dados mais atualizados do portal Brasil Amazônia, a sua comercialização movimentou em torno de R$ 31 milhões só no ano de 2019, com o preço médio de R$ 8,95 o quilo no país. É uma carne branca saborosa, nutritiva e bem aceita no mercado.

O seu nome vem do Tupi e significa “das nascentes”, e algumas comunidades indígenas também o chamam de Jatuarana, com nome científico denominado Brycon sp., que significa morder, roer. 

Uma das vantagens desse peixe é a sua alta capacidade de adaptação em cativeiro, com grande potencial para o agronegócio do Brasil.

Quais são as características do peixe matrinxã?

Ele é escamoso, de coloração prateada e capaz de atingir cerca de 90 centímetros e 5 quilos. Contudo, o único lugar que essa espécie não pode ser criada é no Sul do país, em razão do clima. As baixas temperaturas prejudicam o desenvolvimento e reprodução da espécie.

Para que a criação do peixe matrinxã seja produtiva, é preciso conhecer bem suas particularidades como o ciclo, época de reprodução, alimentação e comportamento. Naturalmente, essa espécie é encontrada nas bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins, apresentando as seguintes características morfológicas:

  • coloração prateada, com nadadeiras alaranjadas e cauda escura;
  • tamanho médio de 80 a 100 centímetros, formato alongado, com peso máximo de 5 quilos;
  • é um peixe que pode resistir em águas mais frias, ácidas e alta densidade populacional, porém, se adapta melhor aos climas mais quentes;
  • a desova ocorre entre outubro e fevereiro;
  • quanto à interação, é um animal que apresenta canibalismo, sendo necessário mais cuidado nas fases de alevinos, entre as primeiras 36 e 72 horas de vida;
  • pode viver em média 10 anos em cativeiro.

Alimentação

O peixe matrinxã não apresenta exigências específicas, sendo considerado o famoso “come de tudo”. Alimenta-se de frutas, sementes, insetos, entre outros insumos — ou seja, as rações podem ser generalistas. Além disso, na natureza, essa espécie pode se alimentar de outros peixes menores durante o período de seca. 

Reprodução

Apresenta comportamento de migração reprodutiva (piracema) para realizar a desova total, que ocorre nos meses de outubro a fevereiro, com deslocamento longo, e a eclosão do alevino aproximadamente 17 horas após a fertilização. Com 36 horas de vida, ele se alimenta de outros recém-nascidos da mesma espécie.

Portanto, não existem cuidados parentais do matrinxã, sendo o início de sua vida uma verdadeira prova de sobrevivência na natureza.

Curiosidades

A espécie é bastante adaptável e já conseguiu até mesmo ultrapassar os limites de berço de origem, estando inserida nas regiões Centro-oeste, Nordeste e Sudeste do Brasil — porém, o clima subtropical do Sul ainda prejudica a reprodução e o desenvolvimento dos alevinos.

Distribuição geográfica

O matrinxã é um peixe de água doce nativo da América do Sul, com ampla distribuição geográfica no Brasil. Sua presença se concentra em duas grandes bacias hidrográficas: bacia amazônica e bacia do Araguaia-Tocantins.

Habitat

Tem preferência por rios claros e lagos, com estruturas submersas para se refugiarem, como troncos e pedras — uma característica selvagem de caça para espreitar as suas presas. Outro ponto vantajoso é a sua boa capacidade de adaptação, com altas projeções de escala comercial no país, visto que representa apenas 1% da piscicultura nacional.

Apesar da boa aceitabilidade no mercado, a sua criação em cativeiro é desafiadora. É necessário organização, planejamento e conhecimento detalhado sobre o comportamento do matrinxã.

Como criar matrinxã em cativeiro?

Como enfatizamos, é preciso seguir o passo a passo com um planejamento eficiente e alinhado às características da espécie. De maneira geral, isso compreende a implementação, o transporte de alevinos, as instalações, o manejo, a alimentação e a reprodução. Confira como colocá-los em prática!

Implementação

Se você está começando a criação dos matrinxãs, é fundamental adquirir os peixes nos estágios mais avançados de desenvolvimento para habituar-se às suas atividades. Dessa forma, recomenda-se comprar os alevinos com 60 dias após as fases de recria e pré-engorda. Porém, antes da compra, certifique-se de que o estabelecimento é confiável e de qualidade.

Transporte de alevinos

Precisa ser feito em sacolas plásticas cuidadosamente e o seu deslocamento não deve ser realizado nas horas mais quentes do dia. Além disso, antes de colocar os alevinos nos recipientes, mergulhe os sacos plásticos e deixe-os por 20 minutos para aclimatação. Após esse período, abra as embalagens para misturar a água dos dois ambientes.

Instalações

A espécie pode ser criada em tanques escavados recobertos com lonas e tanques redes com uma adaptação juntamente ao rio, com água de qualidade.

Para se ter uma ideia, no estado do Amazonas, adaptações em sistemas intensivos para matrinxã mostram-se promissoras em escala comercial, sendo uma ótima alternativa de implementação. Além disso, a instalação deve ter vazão mínima de 30 litros de água por segundo, e módulos de até 100 metros quadrados.

Manejo

Embora o matrinxã seja resistente, ele necessita de alguns cuidados para não ficar vulnerável a doenças. Portanto, evite alta concentração de peixes, acúmulo de matéria orgânica e mantenha uma limpeza periódica no criatório.

Alimentação

Ainda que coma de tudo, o matrinxã tem preferência por frutos, sementes e insetos. Em cativeiro, pode receber ração peletizada para peixes carnívoros. Para isso, ofereça 10% do peso total do plantel dividido entre quatro a seis refeições diárias. 

O custo da alimentação varia entre 50% a 80% do total do investimento da criação. Outro detalhe importante é manter o armazenamento com até 30 dias em um ambiente arejado.

Reprodução

Pode ser feita por meio da aplicação de hormônios, realizada por um profissional certificado, principalmente para acompanhar o processo de canibalismo, que perdura até as primeiras 72 horas de vida. 

Como iniciar a criação de matrinxã?

Como qualquer criação, você precisa iniciar com um bom planejamento de negócio. Esse plano deve considerar aspectos como: análise da viabilidade econômica, adequação legal, escolha do local, construção da infraestrutura e escolha dos fornecedores. Confira as nossas dicas!

  • faça um estudo de viabilidade econômica, avaliando o mercado local, os custos de produção e o potencial de lucro;
  • com o estudo pronto, o segundo passo é a obtenção das licenças e autorizações necessárias junto aos órgãos ambientais e de pesca;
  • o terceiro passo é a escolha de um local com acesso à água de boa qualidade, boa estrutura e condições climáticas adequadas;
  • definido o local em que você fará a criação, construa ou adapte tanques, sistemas de recirculação de água, viveiros e outras instalações necessárias;
  • por fim, escolha um fornecedor confiável de alevinos de qualidade e com boas características genéticas.

Com o seu negócio montado, é hora de começar a criação de fato. Nesse momento, é importante considerar a necessidade de ter conhecimento a respeito das boas práticas de manejo dessas espécies.

Entre as dicas que você pode colocar em prática, vale a pena destacar a necessidade de atenção redobrada com o manejo da água. Mantenha a qualidade da água por meio de processos de filtragem, controle de temperatura e oxigenação.

Para a alimentação dos matrinxãs, utilize ração de qualidade adequada às diferentes fases de desenvolvimento dos peixes, suplementando com alimentos naturais sempre que for necessário.

Monitore a saúde dos peixes, previna doenças e realize tratamentos profiláticos e curativos quando necessário. O suporte de um profissional pode ser interessante, especialmente na indicação de alimentos e suplementos, além da avaliação periódica da saúde dos animais.

Neste contexto, você pode buscar o suporte de profissionais como médicos veterinários, técnicos em aquicultura, biólogos, engenheiros de pesca e zootecnistas. Cada especialista desempenha um papel específico, desde o planejamento dos tanques, até o controle da qualidade da água e alimentação.

Sendo assim, a criação do peixe matrinxã promete ser promissora para o agronegócio, impulsionando o mercado da piscicultura, com ótimas projeções de oportunidades. Porém, como você viu no decorrer deste artigo, a sua implementação é complexa, exigindo planejamento e qualificação técnica.

Assim, além de investir em um estudo de viabilidade, na montagem de infraestrutura e na escolha de bons fornecedores, é fundamental contar com o auxílio de profissionais, o que será crucial para o sucesso da sua criação.

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