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Matrinxã: como criar esse peixe de água doce?

Modificado em: maio 31, 2023

O matrinxã é um peixe bastante conhecido na pesca esportiva devido à voracidade que apresenta para capturar suas presas, o que o faz merecedor do nome como é popularmente conhecido: Saltador de Prata. Além disso, a carne desse peixe é muito apreciada, principalmente na região norte do Brasil e utilizada em diversos pratos culinários nas comunidades indígenas e ribeirinhas.

Na leitura a seguir, você conhecerá melhor a espécie matrinxã, suas principais características e aprenderá como criá-lo adequadamente em cativeiro. Confira dicas para que a sua implementação seja um sucesso!

Peixe matrinxã: conheça a espécie!

O matrinxã é um tipo de peixe de água doce da fauna amazônica cuja procura para criação em cativeiro tem crescido consideravelmente nos últimos anos. Segundo dados do Brasil Amazônia, a sua comercialização movimentou em torno de R$ 31 milhões só no ano de 2019, com o preço médio de R$ 8,95 o quilo no país. É uma carne branca saborosa, nutritiva e bem aceita no mercado.

O seu nome vem do Tupi e significa “das nascentes” e algumas comunidades indígenas também o chamam de Jatuarana, com nome científico denominado Brycon sp., o qual significa morder, roer. 

Uma das vantagens desse peixe é a sua alta capacidade de adaptação em cativeiro, com grande potencial para o agronegócio do Brasil. Ele é escamoso, de coloração prateada e capaz de atingir até 80 centímetros e 5 quilos. Contudo, o único lugar que essa espécie não pode ser criada é no Sul, devido a temperatura ser mais baixa, o que prejudica o seu desenvolvimento e reprodução.

Saiba todos os detalhes para a criação

Para que a criação do peixe matrinxã seja produtiva, é preciso conhecer bem suas particularidades como o ciclo, época de reprodução, alimentação e comportamento. Será sobre isso que falaremos agora, confira!

Principais características

Naturalmente, essa espécie é encontrada nas bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins. Apresenta as seguintes características morfológicas:

  • coloração: prateada, com barbatanas alaranjadas e cauda escura;
  • tamanho: 80 centímetros, formato alongado, com peso máximo de 5 quilos;
  • tolerância: pode resistir em águas mais frias, ácidas e alta densidade populacional;
  • desova: ocorre entre outubro e fevereiro;
  • interação: apresenta canibalismo, sendo necessário maiores cuidados nas fases de alevinos, entre as primeiras 36 e 72 horas de vida;
  • tempo de vida: pode viver em média 10 anos em cativeiro.

Alimentação

O matrinxã não apresenta exigências específicas, sendo considerado o famoso “come de tudo”. Alimenta-se de frutas, sementes, insetos, entre outros. Ou seja, as rações podem ser generalistas. Além disso, na natureza, essa espécie pode se alimentar de outros peixes menores durante o período de seca. 

Habitat

Tem preferência por rios claros e lagos, com estruturas submersas para se refugiarem, como troncos e pedras — uma característica selvagem de caça para espreitar as suas presas. Outro ponto vantajoso é a sua boa capacidade de adaptação, com altas projeções de escala comercial no país, visto que representa apenas 1% da piscicultura nacional.

Reprodução

Apresenta comportamento de migração reprodutiva (piracema) para realizar a desova total, que ocorre nos meses de outubro a fevereiro, com deslocamento longo e a eclosão do alevino aproximadamente 17 horas após a fertilização. Com 36 horas de vida, ele se alimenta de outros recém-nascidos da mesma espécie.

Portanto, não existem cuidados parentais do matrinxã, sendo o início de sua vida uma verdadeira prova de sobrevivência na natureza.

Curiosidades

Esse peixe é bastante adaptável e já conseguiu até mesmo ultrapassar os limites de berço de origem, estando inserido nas regiões centro-oeste, nordeste e sudeste do Brasil — menos no sul devido ao clima subtropical que prejudica a reprodução e o desenvolvimento dos alevinos.

Apesar da boa aceitabilidade no mercado, a sua criação em cativeiro é desafiadora. É necessário organização, planejamento e conhecimento detalhado sobre o comportamento do matrinxã.

Entenda como criar o matrinxã em cativeiro

Como enfatizamos anteriormente, é preciso seguir o passo a passo com um planejamento eficiente e alinhado às características da espécie. De maneira geral, compreende a implementação, o transporte de alevinos, as instalações, o manejo, a alimentação e a reprodução.

Confira como colocá-los em prática!

Implementação

Se você está começando a criação dos matrinxãs, é fundamental adquirir os peixes nos estágios mais avançados de desenvolvimento para habituar-se com as suas atividades. Dessa forma, recomenda-se comprar os alevinos com 60 dias após as fases de recria e pré-engorda. Porém, antes da compra, certifique-se de que o estabelecimento é confiável e de qualidade.

Transporte de alevinos

Precisa ser feito em sacolas plásticas cuidadosamente e o seu deslocamento não deve ser realizado nas horas mais quentes do dia. Além disso, antes de colocar os alevinos, mergulhe os sacos plásticos e deixe-os por 20 minutos para aclimatação. Após esse período, abra as embalagens para misturar a água dos dois ambientes.

Instalações

A espécie pode ser criada em tanques escavados recobertos com lonas, tanques redes com uma adaptação juntamente ao rio, com água de qualidade. Para se ter uma ideia, no estado do Amazonas, adaptações em sistemas intensivos para matrinxã mostram-se promissoras em escala comercial, sendo uma ótima alternativa de implementação. Além disso, a instalação deve ter vazão mínima de 30 litros de água por segundo e módulos de até 100 metros quadrados.

Manejo

Embora o matrinxã seja resistente, ele necessita de alguns cuidados para que não fique vulnerável a doenças. Portanto, evite alta concentração de peixes, acúmulo de matéria orgânica e mantenha uma limpeza periódica no criatório.

Alimentação

Ainda que coma de tudo, o matrinxã tem preferência por frutos, sementes e insetos. Em cativeiro, pode receber ração peletizada para peixes carnívoros. Para isso, ofereça 10% do peso total do plantel dividido entre quatro a seis refeições diárias. 

O custo da alimentação varia entre 50% a 80% do total do investimento da criação. Outro detalhe importante é manter o armazenamento com até 30 dias em um ambiente arejado.

Reprodução

Pode ser utilizada por meio de hormônios, sendo realizada por um profissional certificado, principalmente para acompanhar o processo de canibalismo que perdura até as 72 horas de vida. 

A criação do peixe matrinxã promete ser promissora para o agronegócio, impulsionando o mercado da piscicultura, com ótimas projeções de oportunidades. Contudo, a sua implementação é complexa e contar com auxílio de um profissional será crucial para o seu sucesso.

O conteúdo esclareceu as suas principais dúvidas? Para ajudar você a compreender melhor a criação em cativeiro, também preparamos dicas sobre a criação de peixes em tanques. É só conferir!

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