Argamassa, tijolos, madeiras, plásticos, vidros, fiações elétricas, telhas, solos, metais, resinas: a lista não para por aí. Todos são considerados resíduos, evidenciando a necessidade de que o setor da construção civil faça o gerenciamento adequado desses materiais.
Nos últimos anos, o assunto tem ganhado cada vez mais atenção, inclusive com leis específicas. A prática dos chamados ”3Rs” resume o conceito da gestão de resíduos: reduzir, reutilizar e reciclar. Hábitos nessa linha não apenas fazem bem ao meio ambiente, como ainda aumentam a eficácia das operações e diminuem os custos envolvidos.
Se você procura informações aprofundadas a respeito do assunto, continue conosco ao longo do post. Listamos, a seguir, sugestões para a otimização do gerenciamento de resíduos na construção civil. Confira e faça boa leitura!
Aplique um layout inteligente no canteiro
A organização no local das obras cumpre dois papéis fundamentais para uma série de elementos. Um deles é a comunicação entre as pessoas, e o outro está diretamente ligado à redução de resíduos. Como consequência, a produtividade cresce, e a equipe trabalha com maior margem de segurança.
Você talvez esteja se perguntando: por meio de quais medidas é possível qualificar o layout do canteiro? Os principais focos devem ser:
- redução das distâncias percorridas pelos funcionários;
- racionalização do recebimento;
- simplificação da armazenagem;
- ferramentas e materiais ao alcance.
O processo é sistêmico e normalmente separado nas partes interna e externa. Enquanto, na primeira, se considera aspectos como área de circulação e manuseio de itens, na segunda, o protagonismo figura no planejamento e na programação de entregas, abordando questões mais ligadas aos fornecedores.
Classifique os resíduos
Na gestão de resíduos, existem quatro categorias de classificação: A, B, C e D. É importante conhecer as características que determinam cada distinção, buscando facilitar o processo. Veja a seguir.
Resíduos classe A
A primeira categoria engloba itens passíveis de reutilização ou reciclagem — ou ambos. Tijolos, blocos, telhas e solos, além de qualquer material bem condicionado, costumam servir para reutilização em outras obras. É necessário, porém, oferecer os cenários favoráveis para a garantia da preservação deles.
Já com relação à reciclagem, entram em cena sobras de argamassa, concretos etc. Em estações voltadas especialmente para isso, acontece o processo de trituração, que transforma os resíduos em brita ou pó. Na sequência, a matéria volta a virar argamassa.
Resíduos classe B
Apesar de também serem tratados como itens recicláveis, vidros, madeiras, papéis e metais precisam receber destinos diferentes de acordo com cada caso. Essa peculiaridade exige um armazenamento especial e separado, ou seja, visando a uma destinação adequada até as empresas especializadas em reciclagem.
Resíduos classe C
Nesta categoria, figuram elementos para os quais ainda não foi criada uma tecnologia viável do ponto de vista financeiro. Entre eles, está o gesso, por exemplo. Portanto, esse tipo de resíduo deve ter o descarte feito em aterros da construção civil, com armazenamento temporário separado dos outros materiais.
Resíduos classe D
A classe D abrange os resíduos perigosos. São itens com risco de causar danos ao meio ambiente ou às pessoas, o que resulta na necessidade de metodologias específicas de armazenamento. Existem peculiaridades técnicas para cada um deles. Entre os exemplos, aparecem óleos, tintas e solventes, além de outros materiais citados em outras categorias, mas que acabaram contaminados por essas substâncias perigosas.
Implante uma cultura de redução de resíduos
No universo corporativo, a cultura representa o principal pilar. A gestão de resíduos segue essa linha, pois ela não é fruto de um projeto isolado, já que simplesmente não tem fim. Trata-se de um ciclo repetitivo, em que as etapas são planejamento, execução, avaliação e correção, e assim por diante.
A diminuição de gastos e resíduos desnecessários, eliminando os níveis de desperdícios, é um hábito. Ou seja, existe uma ligação intrínseca com a cultura organizacional. Quando se deixa clara essa estratégia de longo prazo, fica muito mais fácil tornar rotineiras as ações visando aos benefícios.
Nesse cenário, figura o já citado método 3Rs, além de outro chamado 5s. O 3Rs consiste em:
- reduzir — avaliar as despesas, buscando todo tipo de economia plausível;
- reutilizar — não jogar no lixo o que não é lixo, ou seja, o que pode ser reutilizado de alguma maneira;
- reciclar — quando não se consegue nem reduzir nem reutilizar, a melhor opção é destinar os resíduos a um processamento para que voltem ao ciclo de vida de outro modo.
Já o 5s, metodologia de origem japonesa, se baseia nos seguintes pilares:
- seiri — senso de utilização, separando o útil do inútil e otimizando as aplicações de tudo que é considerado útil;
- seiton — senso de ordenação, definindo um lugar para cada coisa;
- seisou: senso de limpeza, evitando a sujeira;
- seiketsu — senso de saúde, adotando hábitos benéficos para pessoas e meio ambiente;
- shitsuke — senso de autodisciplina, admitindo a responsabilidade dos padrões citados.
Conheça a legislação
Em vigor desde 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi instituída por Lei Federal de número 12.305/10. A legislação específica prevê a redução de resíduos gerados com base na prática de hábitos sustentáveis de consumo aliada a uma série de instrumentos que incentivam reciclagem e reutilização.
Entre os princípios da lei, estão a delimitação do compartilhamento da responsabilidade dos produtores de resíduos, desde os fabricantes até os cidadãos, passando por distribuidores, comerciantes e titulares dos serviços de manuseio dos itens. Todos os envolvidos, portanto, têm uma parcela.
Outro aspecto da norma tem a intenção de alçar o Brasil a um nível de igualdade perante nações desenvolvidas. Entra em cena, também, o uso de catadores de materiais recicláveis ou reusáveis, a partir dos programas Logística Reversa e Coleta Seletiva.
Invista adequadamente no maquinário
Para evitar despesas desnecessárias e qualificar a gestão de resíduos, vale a pena buscar conhecimento para aumentar a eficiência do maquinário. Existem alternativas que agregam resistência e durabilidade às operações, diminuindo bastante o descarte de resíduos.
Além de minimizar perdas, isso fortalece a cultura de sustentabilidade. Afinal de contas, boa parcela da produção de itens descartados irregularmente causa poluição. Ou seja, quem atua no ramo da construção civil precisa ter essa noção social. O investimento em aparelhos não descartáveis elimina gastos inúteis sem tirar benefícios de qualquer outra área da obra.
A gestão de resíduos é fundamental porque, caso não ocorra, a empresa sai perdendo em diversos fatores, conforme observamos ao longo do texto. As operações passam a custar mais caro, o ambiente no canteiro de obras perde harmonia, a segurança não é tão intensa e os índices de sustentabilidade podem até descumprir a legislação, dependendo do nível.
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