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Tanque-rede: entenda esse sistema e suas vantagens

Modificado em: junho 6, 2024

Por haver uma redução significativa dos estoques pesqueiros, o que é resultado de uma exploração indiscriminada da pesca, a aquicultura vem crescendo acentuadamente. Isso leva a uma diferença significativa entre a quantidade de pescado capturado e a demanda de consumo de alimento de alto valor proteico.

Existe uma diversidade de organismos aquáticos em produção que se destacam na aquicultura mundial — alguns peixes já são no Brasil, e com pacote tecnológico fechado, como é o caso de carpas, bagre-americano, bagre-africano, tilápia e salmão.

Diante de tal impasse, surge a necessidade de aperfeiçoamento com melhoria constante dos métodos de produção, com destaque para o tanque-rede. Para ajudar você a entender um pouco mais sobre essa infraestrutura de produção, elaboramos um conteúdo com informações úteis sobre o assunto. Boa leitura!

O que é tanque-rede?

Pode-se dizer que tanques-rede são estruturas flutuantes, semelhantes a gaiolas, utilizadas na criação de organismos aquáticos, podendo ser confeccionados em rede ou tela revestida, com malhas de diferentes tamanhos e materiais construtivos.

Eles permitem a passagem de um elevado fluxo de água, que é responsável pela manutenção da qualidade do ambiente e pelo afastamento e diluição dos dejetos dos peixes.

De forma simplista, um tanque-rede é um dispositivo desenvolvido para conter os animais aquáticos que o aquicultor deseja produzir. Ele deve ser elaborado com materiais leves e não cortantes, para facilitar o manejo e apresentar resistência mecânica e à corrosão.

Quais as principais vantagens da instalação de um tanque-rede?

Os tanques-rede podem ser instalados em grandes corpos d’água por meio de estruturas flutuantes (em ambientes nos quais ocorrem variações periódicas no nível d’água) ou com o uso de estacas fixas, em locais onde isso não se altera.

Entre as vantagens dessas estruturas se destacam o alojamento dos animais em condições protegidas do ataque de predadores e competidores e o fornecimento de água e alimento de boa qualidade.

As vantagens não param por aí. Também podemos ressaltar que os tanques-rede oferecem:

  • Favorece a criação de diferentes espécies no mesmo ambiente;
  • possibilidade de despesca o ano todo;
  • uso racional dos recursos hídricos;
  • manejo simplificado;
  • rápida implantação e expansão da produção;
  • baixa dependência da disponibilidade de energia elétrica;
  • facilidade de observação diária dos animais aquáticos, levando à descoberta precoce de doenças, deficiências alimentares e distúrbios de comportamento.

No entanto, assim como ocorre em qualquer tipo de negócio, o uso de tanques-rede também apresenta algumas desvantagens, como:

  • dependência absoluta de alimentação artificial;
  • em algumas regiões do território nacional podem ser encontradas maiores dificuldades para a legalização do empreendimento;
  • dificuldade para o controle de doenças, infestações de parasitas e contaminações diversas;
  • suscetibilidade a roubo, furtos, atos de vandalismo e outros possíveis sinistros.

Quais os principais tipos de tanque-rede?

Basicamente, é possível classificar os tanques-rede pelo tamanho — ou, melhor dizendo, pelo volume e pela forma construtiva. Por tamanho, pode-se considerar:

  • pequeno volume: até 8 m³;
  • médio volume: entre 8 e 108 m³;
  • grande volume: maiores que 108 m³.

O ideal é utilizar bolsões montados com telas fabricadas com materiais flexíveis, o que facilita o manejo, mas existe um porém: normalmente, são materiais suscetíveis à ruptura e ao corte, o que impede o seu uso em locais onde existam predadores e animais com dentição capaz de cortar os cabos da tela do bolsão.

Nesses casos, é necessário o uso de telas metálicas, resistentes às investidas dos predadores.

Existem dois tipos dessas telas: as rígidas (como a tela de moeda) e as semiflexíveis, confeccionadas com fios de arame de aço inoxidável ou de aço-carbono galvanizado a fogo ou coberto com liga bimetálica à base de zinco e alumínio, cobertos ou não com PVC de alta aderência, polipropileno, poliamida ou polietileno.

Quanto à forma construtiva, podemos elencar os tanques-rede em gaiolas flutuantes quadradas, retangulares, octogonais e circulares. Para evitar as incrustações, que dificultam a troca de água contida no interior dos tanques-rede, existe, ainda, a possibilidade de alugar ou montar bolsões com telas semiflexíveis tecidas com fios de cobre.

O formato circular é normalmente utilizado para tanques-rede de grandes volumes, que são instalados em grandes corpos d’água, em regiões nas quais a velocidade de correnteza é intensa ao longo das 24 horas do dia.

Para facilitar o manejo reprodutivo, a larvicultura e a reversão sexual de tilápias em viveiros naturais escavados, o tipo mais utilizado é denominado de happa, que é confeccionado em material flexível, normalmente com formatos retangulares.

Ainda cabe ressaltar que para a instalação em áreas com ocorrência de furacões, existem tanques-rede submersíveis e os instalados totalmente submersos.

Quais os principais pontos para selecionar a área de instalação?

Para a seleção do local de instalação de uma unidade de produção de organismos aquáticos em tanques-rede, alguns aspectos devem ser estudados:

  • facilidade de acesso, para a chegada de insumos e escoamento da produção;
  • distância dos centros de consumo;
  • distância da região produtora de grãos;
  • distância das fábricas de ração;
  • legislação vigente sobre as espécies de peixes liberadas para esse sistema de produção — tanques-rede ou gaiolas flutuantes em corpos d’água;
  • infraestrutura de apoio existente, como um píer de acesso, para facilitar o embarque de insumos e o desembarque da produção;
  • qualidade da água do reservatório;
  • disponibilidade de alevinos da espécie desejada;
  • ocupação das áreas adjacentes;
  • risco potencial de contaminação;
  • flutuação da disponibilidade de oxigênio dissolvido ao longo das estações climáticas;
  • variação da temperatura da água do reservatório ao longo do ano;
  • oscilação máxima do nível d’água previsto no projeto da barragem, ou seja, é preciso conhecer a cota máxima e a mínima do reservatório;
  • estudo aprofundado da hidrodinâmica do local, já que a renovação da água dos tanques ocorre em função das correntezas;
  • estudo aprofundado sobre a dinâmica dos ventos na região e da pista de vento no reservatório;
  • mapeamento da termoclina e como ela se comporta ao longo do ano;
  • adequação das embarcações às condições locais.

Quais os principais erros de instalação?

Cometer alguns erros no processo de instalação de tanques-rede pode resultar em prejuízos e, na pior das hipóteses, na perda de toda a produção.

Entre os principais, se destacam os que apresentaremos abaixo.

Profundidade

A distância entre o fundo do tanque-rede e o fundo da barragem deve ser de, pelo menos, duas vezes a altura do tanque-rede.

Distância e posicionamento dos tanques-rede

Para se ter uma boa renovação de água nos tanques-rede é necessário que a corrente de água passe de maneira perpendicular às instalações, sendo importante manter uma distância mínima entre as gaiolas para garantir a diluição dos resíduos metabólicos dissolvidos na água.

Para tanto, recomenda-se manter um espaço equivalente ao triplo da superfície do tanque-rede.

Como fazer a instalação correta do tanque-rede?

Conforme dissemos, os tanques-rede são estruturas projetadas para serem utilizadas no período de “engorda” dos peixes. Contudo, para fazer a instalação bem-sucedida desse aparato, é necessário que o piscicultor siga algumas regras construtivas.

Veja, a seguir, quais são elas.

Aspectos construtivos

O tanque-rede é uma gaiola flutuante construída com uma estrutura feita de tubos galvanizados. Suas laterais são circundadas por tela de arame galvanizado e revestidas com PVC de alta aderência, o que garante alta durabilidade da tela, pois impede a entrada de água entre o revestimento de PVC e os fios.

Dimensões do tanque

Os tanques voltados para a fase de engorda dos peixes devem ter 2 metros de cada lado e 1,20 m de altura. Para evitar que os animais escapem, a malha da tela deve ser de 19 mm.

Sistema de flutuação

A caixa d’água limpa deve estar dentro da barragem, de forma que um metro de sua altura permaneça submersa na água, e os 20 centímetros restantes, flutuem. Para isso, os flutuadores devem ser colocados no topo dos lados opostos do tanque da rede.

A boia pode ser constituída por um balde de plástico com capacidade para 50L, devendo ser utilizados dois de cada lado do tanque-rede. Além da boia, o tanque deve ser equipado com uma tampa basculante, para facilitar o manuseio.

Fornecimento de ração

O alimento será dado aos peixes na gaiola e permanecerá flutuando na superfície da água até ser comido pelos animais. Para evitar que ele seja arrastado e se perca em uma barragem, canal ou rio, o tanque precisa ser equipado com uma estrutura chamada de alimentador.

A melhor forma de se conseguir um comedouro de alta eficiência é instalando uma rede de náilon na parte superior da gaiola, com altura de, pelo menos, 30 cm, e um porta-ração com malha de 4 mm a 6 mm.

Isso permitirá uma melhor distribuição da ração no tanque de peixes, garantindo, assim, que todos eles sejam alimentados adequadamente, reduzindo a competição alimentar.

Regras de instalação

A cultura de peixes em gaiolas é caracterizada por um sistema cativo de alta densidade. Portanto, a taxa de liberação de resíduos nos tanques é muito alta — entre restos de ração, fezes e urina. Tais resíduos contêm altas concentrações de amônia, que é prejudicial ao desenvolvimento dos peixes.

Por esse motivo, o tanque-rede deve ser instalado em uma barragem de, pelo menos, dois metros de profundidade. Assim, evita-se que essa substância fique permanentemente presente no tanque.

Isso garantirá uma profundidade livre de 1 m abaixo do tanque, que é o mínimo recomendado para esse tipo de instalação.

Além disso, para facilitar o fluxo de água e a remoção de resíduos, os tanques devem ser instalados na barragem transversal à direção do fluxo de água. Como a saída de água costuma ficar próxima à barragem, a melhor direção para a instalação será paralela à represa.

Ancoramento das cordas

Para barragens menores, você pode colocar as cordas nas laterais, em pilares de madeira ou blocos de concreto. Em barragens maiores, apenas uma extremidade da corda deve ser ancorada, enquanto a outra deve ser ancorada na barragem.

Para ancorar uma ponta do cabo na barragem, logo após a última gaiola deve ser instalada uma estrutura angular de ferro galvanizado como suporte do cabo.

Nesse caso, a ponta da corda deve ser amarrada a um bloco de concreto armado, denominado poita, com peso de 50 a 100 kg, e deve ser lançada na barragem. Quando o bloco repousar no fundo da represa, o tanque de água limpa permanecerá totalmente ancorado.

Qual é o melhor tipo de comedouro?

Pensando no fornecimento de rações extrusadas flutuantes, existem três tipos de comedouro, também chamados de anéis de contenção de ração. Veja abaixo.

Quadrado ou retangular

É um dos modelos mais utilizados por causa do aproveitamento de toda a superfície do tanque-rede, ou seja, ele tem uma maior área destinada à alimentação.

A desvantagem desse tipo é que ele pode prender o animal nos espaços entre a tela externa do tanque-rede e o comedouro.

Perimetral

Tem grande área de alimentação, pois é instalado ao longo de todo o perímetro do tanque-rede, podendo atender a todos os peixes e evitando, assim, a competição pelo espaço.

A desvantagem desse modelo é devido ao fato de que a malha deve ser fixada no tanque, podendo dificultar a circulação de água.

Circular

Assim como os outros dois modelos descritos acima, o circular reduz a perda de ração no momento do arraçoamento

A desvantagem é referente à restrição da área de alimentação em relação à superfície do tanque-rede. Isso pode favorecer ou privilegiar o acesso dos peixes maiores, que se alimentarão primeiro, deixando as sobras, se houver, para os menores e, consequentemente, tornando o lote heterogêneo.

Quais os sistemas de criação?

De modo geral, existem 3 tipos de sistemas de criação.

Sistema monofásico

Todo o ciclo de produção se passa em um único tanque-rede. Normalmente, peixes juvenis são alojados nas estruturas, com peso médio entre 30 e 50 g, e despescados quando estiverem com o peso comercial.

Sistema bifásico

No sistema bifásico são utilizados alevinos com peso médio de aproximadamente 1 g, que serão criados em um berçário (bolsão produzido com uma tela de pequena abertura de malha) durante determinado período de tempo.

Ao atingirem o porte de juvenil, quando o peso médio fica algo entre 30 e 50 g (fase de recria e terminação), eles são transferidos para outros tanques-rede, no qual permanecem até atingirem o peso comercial.

Sistema trifásico

São utilizados 3 tipos de tanques-rede ou bolsões, com aberturas de malha distintas:

  • 1º: fase da alevinagem (cria), quando os alevinos são alojados com um peso médio de 1 g e mantidos até atingirem 30 a 50 g, semelhante ao modelo descrito nas condições do sistema bifásico;
  • 2º: em seguida, são transferidos para os tanques de recria ou engorda, no qual os peixes atingem um peso médio entre 200 e 350 g;
  • 3º: quando atingirem um peso intermediário, os peixes são, então, transferidos para os tanques de terminação, onde serão despescados quando atingirem o peso comercial.

A inspeção e a manutenção periódica dos tanques é importante?

Em fazendas aquáticas de produção em tanques-rede e gaiolas flutuantes, é muito comum ocorrer a incrustação de organismos vegetais e animais nas telas ou malhas — um processo chamado de colmatação.

Quando a manutenção não é realizada, o problema acaba se agravando e levando à redução da taxa de renovação da água, à redução do oxigênio dissolvido na água e à deterioração de sua qualidade, tornando-se, também, vetor de doenças.

Para evitar o escape indesejado dos organismos aquáticos, recomenda-se realizar inspeções visuais periódicas por meio do mergulho ou com uso de robôs subaquáticos equipados com câmeras para a filmagem das telas, permitindo a observação de danos na panagem dos bolsões e nas redes das gaiolas.

Assim, fica evidente que as operações de inspeção e de manutenção devem ser realizadas periodicamente em todas as estruturas. Dependendo das condições delas, deve-se proceder a limpeza e o reparo por meio da costura ou da retirada e da substituição das telas.

Como o território brasileiro apresenta uma grande disponibilidade de recursos hídricos represados, a criação de peixes em tanques-rede e gaiolas flutuantes acaba se tornando uma alternativa relativamente barata e simples, quando comparada a outros sistemas.

Por exemplo, os viveiros naturais escavados, em que o custo da terra e a necessidade de desmatamento e destoca das áreas a serem ocupadas pelo empreendimento podem onerar ou, até mesmo, inviabilizar a implantação do projeto.

Como é a criação de tilápias em tanques-rede?

O Brasil é bastante conhecido no exterior pela criação de tilápia. Fornecemos peixes de alta qualidade, devido à alta concentração de oxigênio nos tanques-rede — o método utilizado na produção da espécie.

Afinal, como você já viu, esse sistema garante baixos custos, ciclos de produção curtos e pouco desperdício. Entenda melhor a criação de tilápia nesse tipo de tanque:

Manejo de povoamento

O número recomendado de criaturas vivas de um tanque varia conforme as características do ambiente. Os ajustes na contagem de peixes aumentam a capacidade de produção da gaiola. Quando os viveiros de peixes têm poucos habitantes, o crescimento ocorre mais rápido. A etapa final requer mais espaço para ser totalmente concluída.

Manejo dos animais

Os alevinos são recebidos em sacos plásticos ou sacolas específicas com água e depositados no tanque dessa forma, para evitar o choque térmico. Depois disso, eles deverão ser soltos no tanque-rede, medidos e separados por tamanho. Quanto à ração, ela deve ser oferecida entre 4 a 6 vezes ao dia, de acordo com o tamanho de cada peixe.

Manejo da água

A temperatura da água afeta o metabolismo dos peixes, bem como o nível de oxigênio presente. Baixos níveis de oxigênio afetam o seu crescimento e a produção final. A quantidade de amônia e nitrito também devem ser monitorados, já que, em altas concentrações, eles são tóxicos para os animais.

O Brasil possui muitos recursos para a piscicultura graças ao clima favorável e à grande oferta de água. Para os produtores, há muitas opções para exportar o seu trabalho no estilo de produção. Isso inclui tanto pequenos mercados e restaurantes quanto grandes redes que vendem os seus produtos.

O alto valor nutricional e o baixo preço da carne, aliados ao seu alto valor agregado, tornam a tilápia uma alternativa atraente a outras fontes de proteína. É por isso que muitos produtores optam por entrar nas indústrias de carne e agricultura da espécie.

Como escolher o tanque ideal para aquicultura?

Mesmo com todas as vantagens apresentadas pelos tanques-rede, você deve analisar as necessidades da sua piscicultura antes de tomar uma decisão. Portanto, considere o volume, a qualidade e o sistema de cultivo ideal. Também analise fatores como a facilidade de limpeza e o manuseio prático.

Outro fator que não pode ser negligenciado é a espécie de peixe e quantidade que você criará. Estude a topografia, o tipo de solo e os custos para a instalação do tanque desejado.

O uso de tanque-rede e gaiolas flutuantes têm contribuído significativamente para o crescimento da atividade aquícola, reduzindo, assim, a pressão da pesca indiscriminada sobre os estoques de animais aquáticos. Nesse sentido, é essencial encontrar as melhores soluções em tanques-rede para garantir o sucesso da cultura de peixes.

Uma excelente maneira de garantir o fornecimento de materiais de qualidade é fechar negócio com empresas de credibilidade no mercado. A Sansuy, por exemplo, é uma companhia comprometida em entregar somente produtos duradouros e altamente eficientes e possui uma excelente linha para aquicultura.

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